Para quem já viveu seus 30 e alguns anos – pronto, entreguei minha idade – e brincava de Playmobil enquanto os Stones lançavam seus melhores discos, não é difícil se lembrar de uma época em que propaganda se via na TV, na Revista ou se ouvia no rádio.
Como retribuição ao conteúdo que nos distrai, informa e emociona, há um bom tempo nos habituamos a conceder um pouco de nossa atenção aos minutinhos de “comercial”. Vivi na infância e adolescência, 70s e 80s, um momento que talvez tenha sido o de maior e mais abrangente influência da propaganda sobre nossa cultura e, por diversas vezes, encantavam-me mais as propagandas que a programação.
Com a mídia impressa essa relação é diferente, pois na maioria das vezes pagamos pelo conteúdo. Quem não se lembra de já ter ouvido alguém dizer em tom de desagrado: “essa revista só tem propaganda!”, porém, nesse caso, podemos decidir virar a página e assumirmos o controle sobre o conteúdo que absorvemos.
Cerca de duas décadas depois – e os Stones ainda lançavam discos – a Internet veio nos presentear com o poder absoluto da escolha e essa característica sempre foi para mim a essência de seu sucesso unânime. Muitas das soluções no começo da web basearam-se na mídia impressa, em que os banners cumpriam seu papel como espaço para advertising, num ambiente que tem a liberdade de escolha como matriz.
Movimento e som chegaram à Internet e ficou cada vez mais difícil prender a atenção das pessoas. Os banners foram (e até hoje são) questionados em sua eficiência e começaram a surgir então algumas soluções que se baseavam naqueles minutinhos que concedíamos à TV e que se fazem presentes até hoje como solução, tanto na web como mais recentemente no universo mobile.
Advertising ou atraso de vida?

Game Touch Hockey, para iPhone
Animações e telas de advertising que antecedem obrigatoriamente o conteúdo que nos interessa às vezes podem nos parecer uma troca justa, como no tempo em que assistíamos a sessão da tarde, mas outras vezes podem nos surgir apenas e literalmente como “atrasos de vida”.
Exemplo do segundo caso é um dos games para iPhone de que mais gosto, o Touch Hokey. Antes de jogar sua versão grátis, sou obrigado a aguardar alguns segundos olhando para banners que não me despertam nenhum interesse. A mensagem diz algo como: “prestigie nossos patrocinadores para que a versão grátis do Touch Hokey seja possível”.
Sim, eu sei, a versão é grátis… mas acho que o problema não é haver o patrocínio, mas a forma como ele foi planejado. Esse formato só desvaloriza o game e o patrocinador, que acaba tornando-se um empecilho, um “atraso de vida” para o usuário.
O tempo é outro em velocidade e já nos acostumamos a escolher entre uma enorme diversidade de opções de conteúdo, com liberdade e sem restrições. Há formas alternativas e eficientes para que uma marca se faça presente como patrocinadora de um ambiente web ou mobile, seja valorizada e estabeleça um ponto de contato eficiente com seu público. Podemos pensar um pouco melhor, não podemos?
Ah! Os Stones ainda lançam discos.
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